Amplamente
utilizados em todo o mundo, os fármacos benzodiazepínicos (“calmantes”
“tranquilizantes”), são alguns dos medicamentos mais comumente prescritos.
Normalmente são prescritos para tratamento de ansiedade, insônia, abstinência alcoólica, depressão leve, entre outras. Porém, são um
problema especialmente para pacientes idosos. O uso desses remédios nessa faixa
etária atingiu números alarmantes recentemente, o que preocupou médicos de
muitas especialidades.
Existe
uma relação dose-efeito entre o uso de benzodiazepínicos e o aumento do risco
da doença de Alzheimer em pessoas idosas (estudos comprovaram essa tese em
idosos previamente tratados por mais de três meses). E esse risco é mais
elevado para aqueles que utilizaram formulações de ação prolongada. Uma
pesquisa médica publicada em 2014*
em um jornal britânico (BMJ) apontou que o uso de
benzodiazepínicos está associado a um aumento do risco de o paciente
desenvolver doença de Alzheimer. Em 2016, uma publicação**
no mesmo jornal corroborou esses achados. Contudo, além da perda de memória e
outras alterações cognitivas, esses medicamentos estão associados ainda a um
maior risco de queda e a dependência química.
A prescrição dessas drogas,
especialmente em pessoas mais velhas, deve cumprir orientações sobre boas
práticas, ou seja, a duração mais curta possível e optando pelo uso de formulações
com uma meia-vida curta. Especialistas indicam que a descontinuação desses
remédios já deve ser programada a partir da primeira consulta, ou seja, no
momento em que o médico prescreve para o paciente. Deve-se dar imenso valor ao
uso de psicoterapia comportamental, terapias auxiliares e uso de outros tipos
de remédios.
* BMJ 2104;349: g5205 ** BMJ 2016;352:i90