Decidi trazer para esse espaço algumas dúvidas comuns de pacientes, para esclarecê-las, responder a outras que possam aparecer e discutir assuntos cotidianos e atuais sobre saúde e doenças cardiovasculares. Espero contribuir com todos e ajudar àqueles que ainda não conseguiram estar seguros quanto às suas doenças ou tratamento.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O PERIGO DO (ab)USO DE CALMANTES

Amplamente utilizados em todo o mundo, os fármacos benzodiazepínicos (“calmantes” “tranquilizantes”), são alguns dos medicamentos mais comumente prescritos. Normalmente são prescritos para tratamento de ansiedade, insônia, abstinência alcoólica, depressão leve, entre outras. Porém, são um problema especialmente para pacientes idosos. O uso desses remédios nessa faixa etária atingiu números alarmantes recentemente, o que preocupou médicos de muitas especialidades.
Em doses normais ou regulares, eles são geralmente bem tolerados, porém seu efeito crônico e a dependência química que podem gerar, com necessidade do uso de doses cada vez maiores ao longo do tempo, podem se tornar grandes problemas de saúde. Altas doses podem produzir efeitos colaterais mais graves, como sonolência, confusão mental, turvação visual, fraqueza muscular, perda de coordenação motora, dificuldade de respirar e coma.

Existe uma relação dose-efeito entre o uso de benzodiazepínicos e o aumento do risco da doença de Alzheimer em pessoas idosas (estudos comprovaram essa tese em idosos previamente tratados por mais de três meses). E esse risco é mais elevado para aqueles que utilizaram formulações de ação prolongada. Uma pesquisa médica publicada em 2014* em um jornal britânico (BMJ) apontou que o uso de benzodiazepínicos está associado a um aumento do risco de o paciente desenvolver doença de Alzheimer. Em 2016, uma publicação** no mesmo jornal corroborou esses achados. Contudo, além da perda de memória e outras alterações cognitivas, esses medicamentos estão associados ainda a um maior risco de queda e a dependência química.
A prescrição dessas drogas, especialmente em pessoas mais velhas, deve cumprir orientações sobre boas práticas, ou seja, a duração mais curta possível e optando pelo uso de formulações com uma meia-vida curta. Especialistas indicam que a descontinuação desses remédios já deve ser programada a partir da primeira consulta, ou seja, no momento em que o médico prescreve para o paciente. Deve-se dar imenso valor ao uso de psicoterapia comportamental, terapias auxiliares e uso de outros tipos de remédios.
* BMJ 2104;349: g5205  ** BMJ 2016;352:i90