A
relação entre a espiritualidade e o adoecer é conhecida há algum tempo, assim
como a melhora de alguns pacientes em decorrência da fé. Motivados por esses
relatos, pesquisadores iniciaram estudos científicos e comprovaram que existe
uma relação entre religiosidade/espiritualidade e as doenças cardiovasculares, a
depressão, a imunidade, os níveis da pressão sanguínea e complicações
pós-operatórias de cirurgias cardíacas.
A
espiritualidade pode ser definida como uma busca que o ser humano tem para
entender o significado da vida e uma conexão com algo superior, “uma busca
pessoal para entender questões finais sobre a vida, seu sentido (...) que, pode
ou não, levar ao desenvolvimento de práticas religiosas (...)”*. A
espiritualidade não significa religiosidade. Essa última significa uma
conceituação de como buscar essas respostas. Cada religião como uma forma
diferente de cultuar suas crenças e com regras a serem seguidas. Uma
sistematização da espiritualidade.
Estudos
em hipertensão arterial demonstraram que os pacientes que participavam de algum
culto religioso (independente de qual) tinham níveis de pressão arterial mais
bem controlados. Do mesmo jeito, idosos que rezavam ou liam literatura
religiosa apresentavam 40% menos chances de apresentarem hipertensão.
Pesquisas
clínicas que relacionaram a espiritualidade e a redução da mortalidade acharam
resultados variáveis. Contudo, em seis estudos realizados até 2003 observou-se
uma redução média de risco de até 25% da mortalidade em pacientes que aderem a
práticas religiosas, independente de outras condições. Nesses estudos foi
encontrado resultado benéfico dessas práticas em pacientes com depressão.
Maiores níveis de espiritualidade se correlacionam com maior satisfação de vida
e felicidade e menores taxas de depressão.
O
impacto positivo da espiritualidade/religiosidade na saúde de pessoas estudadas
vem demonstrando seu possível papel como fator de prevenção ao desenvolvimento
de doenças (na população sadia) e eventual redução da gravidade dessas doenças e
até de morte entre esses pacientes.
*Rev Bras Clin Med. 2010;8(2):154-8

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