Sempre que um paciente chega em meu consultório com algum problema cardiovascular, para fazer uma avaliação pré-operatória ou até mesmo para uma avaliação de rotina, me escuta explicar sobre os malefícios de nosso atual estilo de vida (sedentarismo, sobrepeso, estresse, depressão...). Entretanto, uma pergunta é frequente entre os que apresentam sobrepeso e obesidade: qual a necessidade real de perda de peso para controle clínico ou redução dos riscos de complicações?
Sabe-se que em pacientes obesos ocorre uma
considerável redução dos níveis de pressão arterial a cada 5% de redução do
peso corporal (exemplo: paciente com pressão alta e peso de 130Kg, poderia reduzi-la
parcialmente se atingisse o peso de 123Kg ou menos). Em recente estudo,
apresentado no XXI Congresso Mundial da Federação Internacional de Cirugia da
Obesidade e Transtornos Metabólicos, os pesquisadores afirmaram que os riscos
cardiovasculares diminuem com 15% de redução no peso. Se pensarmos em controle
da asma, por exemplo, é necessário muito menos. Entretanto, para percebermos
uma real melhora na qualidade de vida o valor precisa ser de aproximadamente
20% de redução do peso corporal. Outro dado interessante, e que motiva essas
mudanças, é que a perda de peso nesses pacientes leva a um melhor controle de
muitas patologias (tabela).
Os indivíduos que ganham uma quantidade acentuada
de peso durante a idade adulta e passam para outra categoria de IMC (saem de
sobrepeso e se tornam obesos, por exemplo) têm um risco aumentado de
desenvolver os tipos de câncer relacionados à obesidade, nos homens, esse risco
pode aumentar em até 50%. Entre as mulheres, um aumento do IMC do peso normal
para a obesidade durante a idade adulta foi associado a um risco aumentado em
17% para tumores malignos relacionados à obesidade.
E em quanto tempo devemos chegar a essas metas? É
mais importante que a perda de peso se dê de maneira controlada e constante do
que rapidamente. Um paciente que reduza o seu IMC (índice de massa corporal) de
50 para 35 é mais saudável do que um paciente com IMC 35 que nunca tenha
perdido peso. O processo de reduzir o peso corporal deixa o paciente em um
estado de saúde melhor do que aquele que o IMC real sugere.
O mesmo grau de dedicação deve ser mantido após
atingirmos as metas. Em outro estudo, publicado na revista médica Obesity,
os médicos identificaram que para cada quilo de peso que perderam, os pacientes
em um novo estudo consumiram 100 calorias extras por dia – mais de três vezes
do que precisariam para manter o peso baixo. Esse aumento de ingesta pode
explicar por que a manutenção de longo prazo do peso corporal reduzido é tão
difícil. Portanto, devemos ter em mente a meta para o nosso peso e que a perda
deve ser constante, mesmo que lenta e gradual, pois ao atingirmos o peso ideal
será mais fácil mantê-lo.
CONDIÇÃO
CLÍNICA / LABORATORIAL
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%
total de perda de peso corporal necessária
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Controle da síndrome
metabólica
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13,00%
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Redução dos níveis de
triglicerídeos
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7,00%
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Aumento do HDL (colesterol bom)
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11,00%
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Controle da Glicose
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11,00%
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Controle da Pressão
Arterial
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20,00%
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Fonte:
Dr. Carel le Roux / Apresentação IFSO 2016
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