O abuso crônico da ingestão de bebidas
alcoólicas pode trazer inúmeros problemas à saúde, além dos possíveis encargos
sociais e familiares que já conhecemos. Entretanto, a maioria dos pacientes
acredita que bebem “moderadamente” e que, portanto, estão livres desses
efeitos. O que poucos sabem é que o recomendado pela OMS (Organização Mundial
da Saúde) é que o consumo diário não ultrapasse 30g de álcool. Nas
mulheres, idosos, indivíduos com esteatose hepática (gordura no fígado),
hipertensão arterial ou diabetes esse limite pode cair pela metade. Em
indivíduos adultos e saudáveis o consumo de álcool até essa quantidade (tabela
1), pode ser benéfico, com redução das chances de infarto, redução da
chance de trombose (“coágulos nos vasos sanguíneos”), controle da pressão
sanguínea e do estresse. O vinho, em particular, ainda oferece a ação de
substâncias (flavonóides) que melhoram o perfil do colesterol (presentes também
no suco de uva). Entretanto, o consumo além desses limites pode causar grandes
malefícios ao corpo humano, em especial a saúde do coração.
A ingestão crônica de quantidade de álcool superior à recomendada para idade, sexo e condição clínica pode causar
insuficiência cardíaca (“coração fraco”). Isto ocorre por fibrose intersticial
do músculo cardíaco (morte das células do coração com reposição por tecido de
cicatrização – que não contrai) e dilatação do coração, entre outras
alterações. Frequentemente encontradas nos grandes consumidores de bebidas
alcoólicas, mesmo na ausência de sinais ou sintomas. Cerca de metade dos
alcoólatras crônicos assintomáticos apresentam alterações ao exame de
ecocardiograma, e pelo menos 30% desses apresentam evidências disfunção sistólica do coração (perda da força do
coração). Se mantiverem esse padrão de consumo, esses pacientes costumam
desenvolver os sinais e sintomas de insuficiência cardíaca congestiva. Contudo,
os indivíduos que consomem álcool de forma controlada e permitida apresentam
uma incidência de problemas cardíacos mais baixa do que os abstêmios.
O álcool também pode ajudar a desenvolver ou a
exacerbar a hipertensão arterial. Indivíduos que consomem mais de duas doses
por dia tem uma chance 2 vezes maior de apresentar hipertensão, sendo que a
gravidade do aumento da pressão arterial aumenta com o nível de abuso (dose dependente).
O consumo maciço de bebidas alcoólicas, também
está associado ao aumento de doença arterial coronariana – DAC (entupimento das
artérias do coração). Em contrapartida, a ingestão leve a moderada de álcool (2
a 7 doses por semana) reduz o risco de doenças cardíacas e morte,
especificamente por infarto.
Nota-se assim que o consumo leve de álcool,
dentro dos padrões de recomendação e sem o abuso social, pode trazer benefícios
(que também são encontrados de outras maneiras, não sendo obrigatória sua
utilização para uma boa saúde). Entretanto, é importante ressaltar os
malefícios que o consumo moderado a grave pode causar. Pacientes cardíacos,
pacientes obesos ou com sobrepeso (que estejam tentando emagrecer), idosos,
mulheres com problemas de saúde e naqueles em que já existam doenças
relacionadas ao álcool, o melhor seria não consumi-lo, ou fazê-lo estritamente
nas doses permitidas. Converse sempre com um médico para definir o nível e
padrão aceitável para sua condição de saúde.
Quantidade
aproximada de álcool por dose de bebida (Fonte:
NIAAA)
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1
lata de cerveja
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15g
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1
tulipa de chope
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12g
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1
taça pequena de vinho (150mL)
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15g
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1
dose pequena de destilado (30mL)
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15g
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